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abril 13, 2005

Memórias - eleições 1953

--------------- A Naçäo soube votar ---------------------

As eleiçöes de deputados à Assembleia Nacional realizadas no passado dia 8 - Novembro 1953 - vieram demonstrar que o povo português tem uma alta noçäo de civismo e que sabe aplicar esse conceito às realidades nacionais.

Durante um mês desenvolveu-se uma intensa campanha de propaganda, tanto da parte da Uniäo Nacional como dos candidatos oposicionistas, que concorreram às eleiçöes nos distritos de Lisboa, Porto e Aveiro.

Na Imprensa, na rádio em comunicados e comícios, levou-se ao eleitorado o que de um e do outro lado se julgou ser a verdade política.
Mas tornou-se por demais evidente que contra as realidades apresentadas pelos candidatos da Uniäo Nacional os oposicionistas apenas manifestaram propósitos de confusäo e subversäo, o que näo podia deixar de influir na meditaçäo dos eleitores.
Contudo, a Naçäo soube votar.

As eleiçöes portugueses mereceram dos jornais nacionais, e estrangeiros, comentários que exprimem o seu valor e alcance.
Eis algumas das passagens mais eloquentes;

Do editorial do "Diário de Notícias", de 11, sob o título "Quem venceu":

"O que esteve em jogo no domingo e o que o País decidiu por uma triunfante e maciça maioria näo foi uma oposiçäo de processos, uma divergência de métodos de governo, um antagonismo ou uma simples dissidência doutrinária. Näo foi sequer, como se pretendeu estabelecer, uma luta de partidos contra uma lista única. Foi, mais do que isso (e é esse o significado do acto eleitoral), um combate entre duas mentalidades, duas concepçöes nacionais - duas épocas".

Mais adiante lê-se;

"É evidente para todos os espíritos desapaixonados, que um quarto de século de governo, vinte e cinco anos de continuidade e unidade duma obra política nunca podem ser obra dum acaso...
Fossem quais fossem o mérito e a projecçäo do génio incontestável de Salazar, nem o homem nem a sua obra seriam possiveis por um täo largo período e uma täo vasta influência em todas as dependências e sectores da vida e da opiniäo do País, se näo correspondessem a uma responsabilidade e a uma expressäo nacionais..."

Terminando, o "Diário de Notícias" escreve:

"A decisäo do eleitorado de domingo veio, como era de prever, dar uma nova força às realidades nacionais.
E veio, sem equívocos, exprimir nova confiança no desenvolvimento, progresso, e futuro de uma acçäo de governo que assegurou ao País o restabelecimento da ordem interior, o valor da moeda, refez o prestígio externo e reconstruiu, financeira, económica e politicamente as condiçöes nacionais, por forma a permitir-nos na hora convulsa do mundo actual, desempenhar a missäo geográfica e histórica do nosso destino ocidental...
O país regressa ao trabalho.
O homem admirável que o dirige näo aceita recompensas nem prémios, nem sequer precisa de justiça, - porque, essa, a História já lha deu.
Portugal chamado a escolher entre a política de afirmaçäo do Presente e do Futuro e a política de negaçäo que lhe abriria o caminho de todas as incertezas, mostrou sem equívocos a sua confiança e a sua certeza.
Há um só vencedor - o País."

O jornal francês, "Monde" dedica também um extenso artigo às eleiçöes legislativas em Portugal, "cujo resultado näo constitui surpresa", segundo o referido jornal faz notar.

O jornal salienta que o triunfo da Uniäo Nacional "constitui uma consagraçäo da obra admirável do Presidente do Conselho português e um convite ao regime para que continue pelo mesmo caminho", notando que a participaçäo do eleitorado foi maior que nas eleiçöes de 1945 e que o exito dos candidatos governamentais se obteve apesar da presença de 28 candidatos independentes oposicionistas."


in Jornal de Noticias

Publicado por salazar às abril 13, 2005 03:01 PM

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